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Ler notícias está fazendo mal à você e deixar de ler talvez te deixe mais feliz



Nas últimas décadas os afortunados entre nós reconheceram os perigos de viver com uma superabundância de alimentos (obesidade, diabetes) e começaram a mudar suas dietas. Porém a maioria ainda não compreende que a notícia é à mente o que o açúcar é ao corpo. Notícias são fáceis de digerir. A mídia nos alimenta com pequenas mordidas de matérias triviais, matérias que realmente não dizem respeito à nossa vida e não exigem pensar. É por isso que não experimentamos quase nenhuma saturação. Ao contrário de livros e longos artigos de revistas (que exigem pensamento), podemos engolir quantidades ilimitadas de flashes de notícias, que são doces brilhantes para a mente. Hoje estamos começando a reconhecer o quão tóxicas certas notícias podem ser.

NOTICIAS ENGANAM

Imagine a seguinte situação: Um carro passa por cima de uma ponte e a ponte desmorona. Qual será o foco dos meios de comunicação? O carro. A pessoa no carro. De onde ele veio. Onde ele planejava ir. Como ele experimentou o acidente (se ele sobreviveu). Mas isso é irrelevante. O que é relevante? A estabilidade estrutural da ponte. Esse é o risco subjacente que tem estado à espreita, e poderia espreitar em outras pontes. Mas o carro é chamativo, é dramático, é uma pessoa (não-abstrata), e é notícia que é barato de produzir. Notícias nos levam a andar com o mapa de risco completamente errado em nossas cabeças. Assim, o terrorismo é superestimado. O estresse crônico é subestimado. O colapso do Lehman Brothers é superestimado. A irresponsabilidade fiscal é subestimada. Os astronautas são superestimados.

Não somos racionais o suficiente para sermos expostos à imprensa. Assistir a um acidente de avião na televisão vai mudar a sua atitude em relação a esse risco, independentemente da sua probabilidade real. Se você acha que pode compensar com a força de sua própria contemplação interior, você está errado. Banqueiros e economistas - que têm poderosos incentivos para compensar os perigos transmitidos pelas notícias - mostraram que não podem. A única solução: restringir completamente a leitura de notícias.

NOTICIAS SÃO IRRELEVANTES

Das aproximadamente 10 mil notícias que você leu nos últimos 12 meses, nomeie uma que - porque você a consumiu - lhe permitiu tomar uma decisão melhor sobre um assunto sério que afeta sua vida, sua carreira ou seu negócio. 

O ponto é: o consumo de notícias é irrelevante para você. Mas as pessoas acham muito difícil reconhecer o que é relevante. É muito mais fácil reconhecer o que há de novo. O relevante versus o novo é a batalha fundamental da era atual. Organizações de mídia querem que você acredite que as notícias lhe oferecem algum tipo de vantagem competitiva. Ficamos ansiosos quando somos isolados do fluxo de notícias. Na realidade, o consumo de notícias é uma desvantagem competitiva. Quanto menos notícias você consumir, maior a vantagem que você tem.

NOTICIAS NÃO TEM PODER EXPLICATIVO

Os artigos de notícia são bolhas que estalam na superfície de um mundo mais profundo. A acumulação de fatos ajudará você a entender o mundo? Infelizmente não. A relação é invertida. As histórias importantes são não-histórias: movimentos lentos e poderosos que se desenvolvem abaixo do radar dos jornalistas, mas têm um efeito transformador. Quanto mais "factídios de notícias" você digerir, menos de um quadro grande você entenderá. Se mais informações levam a um maior sucesso econômico, esperamos que os jornalistas estejam no topo da pirâmide. Porém não é esse o caso.



NOTICIAS SÃO TÓXICAS PARA O SEU CORPO

Ela desencadeia constantemente o sistema límbico. Histórias de pânico estimulam a liberação em cascata de glucocorticóide (cortisol). Isso desregula o sistema imunológico e inibe a liberação de hormônios de crescimento. Em outras palavras, seu corpo encontra-se em um estado de estresse crônico. Níveis altos de glicocorticóides causam digestão prejudicada, falta de crescimento (célula, cabelo, osso), nervosismo e susceptibilidade a infecções. Os outros efeitos colaterais potenciais incluem medo, agressão e dessensibilização.

NOTICIAS AUMENTAM ERROS COGNITIVOS

A notícia alimenta a mãe de todos os erros cognitivos: viés de confirmação. Nas palavras de Warren Buffett: "O que o ser humano é melhor em fazer é interpretar todas as novas informações para que suas conclusões prévias permaneçam intactas." A notícia exacerba essa falha. Tornamo-nos propensos a excesso de confiança, assumimos riscos estúpidos e julgamos mal as oportunidades. Também exacerba outro erro cognitivo: o viés de história. Nossos cérebros anseiam histórias que "fazem sentido" - mesmo que não correspondam à realidade. Qualquer jornalista que escreva, "O mercado se moveu por causa de X" ou "a empresa foi à falência por causa de Y" é um idiota. Estou farto dessa maneira barata de "explicar" o mundo.

NOTICIAS INIBEM O PENSAMENTO

Pensar exige concentração. Concentração requer tempo ininterrupto. As peças de notícias são projetadas especificamente para interrompê-lo. Eles são como vírus que roubam a atenção para seus próprios propósitos. A notícia faz-nos pensadores rasos. Mas é pior do que isso. A notícia afeta gravemente a memória. Existem dois tipos de memória. A capacidade de memória de longo alcance é quase infinita, mas a memória de trabalho é limitada a uma certa quantidade de dados. O caminho de curto prazo para a memória de longo prazo é um ponto de bloqueio no cérebro, mas qualquer coisa que você quer entender deve passar por ele. Se essa passagem é interrompida, nada passa. Porque a notícia interrompe a concentração, enfraquece a compreensão. Notícias on-line tem um impacto ainda pior. Em um estudo de 2001 dois estudiosos no Canadá mostraram que a compreensão diminui à medida que o número de hiperlinks em um documento aumenta. Por quê? Porque sempre que um link aparece, o seu cérebro tem de pelo menos fazer a escolha de não clicar, o que em si é uma distração. Noticias são sistemas de interrupção intencional.

NOTICIAS FUNCIONAM COMO DROGAS

À medida que as histórias se desenvolvem, queremos saber como elas continuam. Com centenas de argumentos arbitrários em nossas cabeças, este desejo é cada vez mais atraente e difícil de ignorar. Os cientistas costumavam pensar que as densas conexões formadas entre os 100 bilhões de neurônios dentro de nossos crânios foram em grande parte fixadas no momento em que chegamos à idade adulta. Hoje sabemos que este não é o caso. As células nervosas rotineiramente quebram conexões velhas e formam novas. Quanto mais notícias consumimos, mais exercemos os circuitos neurais dedicados ao skimming e multitarefa, ignorando aqueles usados ​​para ler profundamente e pensar com foco profundo. A maioria dos consumidores de notícias - mesmo os leitores de livros ávidos - perderam a capacidade de absorver artigos longos ou livros. Depois de quatro, cinco páginas eles se cansam, sua concentração desaparece, eles ficam inquietos. Não é porque eles ficaram mais velhos ou seus horários se tornaram mais onerosos. É porque a estrutura física de seus cérebros mudou.

NOTICIAS DESPERDIÇAM TEMPO

Se você ler o jornal durante 15 minutos todas as manhãs, então verifique as notícias por 15 minutos durante o almoço e 15 minutos antes de ir para a cama, em seguida, adicionar cinco minutos aqui e ali quando você está no trabalho, conte também o tempo de distração e o de reorientação. Você vai perder pelo menos metade de um dia a cada semana. A informação não é mais uma mercadoria escassa. Mas atenção é. Você não é tão irresponsável com seu dinheiro, reputação ou saúde. Por que é com a sua mente?

NOTICIAS NOS TORNAM PASSIVOS

Notícias são esmagadoramente sobre coisas que você não pode influenciar. A repetição diária de notícias sobre coisas as quais não podemos agir torna-nos passivos. Somos bombardeados até que adotemos uma visão de mundo que é pessimista, dessensibilizado, sarcástico e fatalista. O termo científico é "desamparo aprendido". É um pouco esticado, mas eu não ficaria surpreso se o consumo de notícias, pelo menos parcialmente contribui para a doença generalizada de depressão.

NOTICIAS MATAM A CRIATIVIDADE

As coisas que já conhecemos limitam nossa criatividade. Esta é uma razão pela qual matemáticos, romancistas, compositores e empresários muitas vezes produzem suas obras mais criativas em uma idade jovem. Seus cérebros desfrutam de um espaço largo e despovoado que os encoraja a inventar e buscar ideias novas. Eu não conheço uma única mente verdadeiramente criativa que é um viciado em notícias - não um escritor, não um compositor, matemático, médico, cientista, músico, designer, arquiteto ou pintor. Por outro lado, eu conheço um bando de mentes viciadas sem criatividade que consomem notícias como drogas. Se você quiser utilizar soluções antigas e já conhecidas, leia notícias. Se você estiver procurando por novas soluções, não leia.

A sociedade precisa do jornalismo - mas de uma maneira diferente. O jornalismo investigativo é sempre relevante. Precisamos de relatórios que policiam nossas instituições e descobrem a verdade. Mas descobertas importantes não precisam chegar na forma de notícias, podem ser concebidos em longos artigos de revistas ou em livros.

Fonte: dobelli | The Guardian |

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